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01 novembro 2017

Corpo de Camilla Abreu é encontrado e capitão é preso pelo crime

De acordo com o delegado Francisco Baretta, coordenador da Homicídios, o acusado, capitão Alissom Wattson, confessou o crime com riqueza de detalhes. “Ele atirou nela dentro do carro após uma discussão por causa de ciúmes”, explicou Baretta. O delegado acrescentou ainda que a polícia já havia levantado o histórico do PM e que ele era um homem bastante agressivo, o que só veio corroborar a hipótese de sua autoria do crime.

Foi o capitão Alissom que informou à polícia onde estava o corpo e levou os investigadores até o local onde o corpo foi ocultado, no povoado Mucuim, nas proximidades da BR-343. O corpo foi abandonado pelo autor do crime dentro de um matagal de difícil acesso. Na manhã de hoje, a Delegacia de Homicídios já havia feito uma incursão na área próxima, uma vez que as equipes já tinham a localização aproximada do corpo a partir do GPS do celular da vítima, que foi encontrado às margens da BR-343, e de imagens de câmeras de segurança.
A perícia confirmou que a jovem foi agredida na cabeça, com um objeto contundente, antes de ser alvejada com um tiro no rosto. O corpo de Camilla já se encontrava em avançado estado de decomposição. O crime se enquadra como feminicídio, assassinato de uma mulher em que as motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade do homem sobre a vítima do gênero feminino.
Questionado sobre a possível participação de outras pessoas no crime, o delegado Baretta disse que a investigação ainda está em curso e que não é possível, no momento, apontar co-autorias.



O pai de Camilla, Jean Carlos Rodrigues, esteve no local acompanhando a remoção do corpo da estudante e disse o que estava sentindo: “Revolta né? Dela ter se misturado com um vagabundo desses fardado de polícia. Não tenho nem palavras”, declarou.
Assassino confessou crime
O delegado Barêtta disse que o assassino contou como o crime aconteceu. “Ele conta a versão dele lá, que atirou dentro do carro após ter mantido relação sexual com ela. É a versão dele, evidentemente que estamos investigando para saber o que realmente aconteceu. Se ele confessasse ou não a polícia tinha construído as provas necessárias para prender ele e deixar na cadeia”, disse o delegado.

A motivação do crime teria sido uma discussão. “Ele conta a história dele, que teve uma discussão por causa de namoro, ciúmes também. Ele era um homem muito agressivo e nós temos o histórico dele todo levantado. A gente já tinha muita informação e com a prisão hoje à tarde, só veio a colaborar [para localizar o corpo]”, afirmou Barêtta.

No inquérito será apurado se ele teve a ajuda de alguém. “Se porventura tiver algum coautor ou partícipe, será demonstrado no inquérito policial”, esclareceu o delegado da Homicídios. O delegado geral Riedel Batista destacou que nada que o acusado fale, vai conseguir minimizar o que aconteceu. “A questão da versão dele não minimiza em nada a forma como ele matou a jovem. Ele pode falar o que ele quiser, não muda em nada a situação dele”, destacou.

Entenda o caso

A estudante de direito, Camilla Abreu, desapareceu na última quarta-feira (25).
Ela foi vista pela última vez em um bar no bairro Morada do Sol, na zona leste de Teresina, acompanhada do namorado e capitão da PM, Allisson Wattson. Após o desaparecimento, o capitão ficou incomunicável durante dois dias, retornando apenas na sexta-feira (27) e afirmou não saber do paradeiro da jovem.
A Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Barêtta, assumiu as investigações. O capitão foi visto, na manhã do último sábado (28), em um posto de lavagem às margens do Rio Parnaíba, a fim de lavar seu carro sujo de sangue. Allisson disse ao lavador de carros que o sangue era decorrente de pessoas acidentadas que ele havia socorrido.
Na tentativa de ocultar as provas do crime, o capitão trocou o estofado do veículo e tentou vendê-lo na cidade de Campo Maior, mas não conseguiu pelo forte cheiro de sangue que permanecia no carro.
Durante investigação, a polícia quis periciar o carro, mas Allisson disse ter vendido o veículo, mas não lembrava para quem. No início da manhã desta terça-feira (31), o delegado Francisco Costa, o Barêtta, confirmou a morte da jovem.